Agrupamento de Escolas Templários


LENDA DE STª IRIA

24 outubro 2018

Lenda De Santa Iria

A lenda de Santa Iria, com o decorrer dos séculos, foi originando mais do que uma versão, no entanto, não se sabe exatamente qual delas encerra o conteúdo mais verídico acerca da mesma.

Sabe-se, no entanto, que o culto pagão à deusa Nábia – ou Nabanus – originou a famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cuja festa Tomar celebra anualmente, através da realização da tradicional Feira de Santa Iria.

Assim, conta a história que, numa antiga quinta, nos arredores da Nabância, em Tomar, nasceu, no ano de  653, Iria, Irene ou Ireia, uma bela jovem, oriunda de uma família nobre goda e cuja educação foi confiada às suas tias monjas do convento beneditino de Santa Clara, onde lhe nasceu desde cedo, o desejo de servir Cristo.

Dotada de beleza e inteligência invulgares, a jovem Iria atraía as atenções sobretudo dos fidalgos que disputavam entre si as suas atenções. Contava-se entre eles o jovem Britaldo que por ela alimentou uma enorme paixão. Britaldo era um cavaleiro corajoso, bom e leal, filho do príncipe Castinaldo, senhor de Nabância. Devido à sua enorme paixão perdeu o apetite, o sono, a alegria e quase enlouqueceu. Acabou por cair doente e nem o físico, nem o boticário conseguiram achar remédio apropriado para curar aquele estranho mal.

Em sonhos, Deus apareceu a Iria e contou-lhe a desgraçada doença do jovem Britaldo, revelando-lhe ser ela a causadora da enfermidade. Depois de rezar as matinas à beira do rio Nabão, decidiu ir visitar o infeliz ao palácio e tentar dissuadi-lo daquele amor. Iria tentou demovê-lo do sentimento que lhe havia inspirado, pediu-lhe que a esquecesse, porque o seu coração e o seu amor eram de Deus. O cavaleiro fê-la, então, prometer que nunca daria a outro o amor que a ele negava. Iria prometeu e, fazendo-lhe o sinal da cruz na testa, esperou que Britaldo adormecesse e saiu de mansinho, deixando o cavaleiro de novo cheio de saúde.

Entretanto, o precetor frei Remígio, perante tanta formosura e tentado pela carne, iniciou propostas desonestas à linda jovem que o repeliu energicamente.

Dois anos depois, Britaldo ouviu rumores infundados de que Iria tinha atraiçoado a sua promessa e amava outro homem que veio a apaixonar-se por Iria. Ferido nos seus desejos, Remígio jurou a si mesmo vingar-se da virgem que assim desprezava os seus valores.

Ruído de ciúmes pela paixão de Britaldo, o monge Remígio que era o diretor espiritual de Iria, deu a beber à jovem uma mistela que lhe provocou no corpo a aparência de gravidez, provocando desse modo a sua expulsão do convento e levando-a a procurar refúgio junto do rio Nabão. Britaldo, enraivecido, vendo apenas os efeitos exteriores da poção mágica, sentiu-se traído, seguiu-a num dos seus habituais passeios ao rio Nabão, apunhalou-a e atirou o seu corpo à água.

Conta a lenda que o corpo de Iria foi levado pelas águas até ao Zêzere e daí ao Tejo. Foi encontrado junto da cidade de Scalabis (Santarém), encerrado num belo sepulcro de mármore. O povo rendeu-se ao milagre e, a partir de então, a cidade passou a chamar-se de Santa Iria, mais tarde Santarém.

↑ Retroceder ← Anterior Seguinte →